Há alguns dias li uma frase extremamente memorável num artigo sobre a aparente falta resiliência da Geração Z:
Os seus problemas não necessariamente são sua culpa, mas infelizmente são sua responsabilidade.
Essa ideia ficou presa na minha cabeça, vivendo sem pagar aluguel, por diversos dias, e me fez refletir sobre como nós costumamos lidar com obstáculos, e dificuldades no geral, mas muito principalmente, inconveniências importunas. De alguma maneira, em algum momento, alguém resolveu por querer se sentir absolvido de qualquer responsabilidade de seus problemas, e então surgiu a ideia de culpar o universo.
Eu não sou o causador dessa situação, por que devo ser obrigado a lidar com ela?
- Não fui eu quem gerou os traumas dessa pessoa com quem convivo…
- Entrei na empresa depois de terem tomado a decisão que causou esse problema…
- Minha casa já tinha problemas de infiltração antes de eu me mudar para ela…
- Meu cachorro late alto em crises de desespero desde antes de adotá-lo…
Situações nas quais de fato estamos corretos em assumir que não somos culpados. Porém, somos afetados pelas suas consequências de toda forma.
Acredito que essa frase é marcante por que ela escancara uma realidade bruta, que sendo nós ou não os causadores de uma situação, nenhuma solução viável virá da inação e/ou revolta puramente performática.
Isso não quer dizer que devemos nos conformar com todos os problemas que são colocamos em cima de nós, sobretudo problemas derivados de sistemas muito maiores que o indivíduo. Porém, se recusar a tomar uma posição, planejar e executar ações é o único caminho possível para supera-los.
Muito do ponto de vista e perspectiva da frase tem a ver com uma forma de olhar para a vida num geral, e talvez não só olha-la, mas vive-la. Tomar as rédeas e ser protagonista das nossas decisões, invés de apenas reagir e aceitar (ou lutar contra sem resolver) o que aparece no nosso caminho.
É interessante lembrar que as vezes queremos pensar que o universo está nos testando de alguma maneira e por isso vivemos essas situações, por que é bom sentir que essa turbulêcia tem pelo menos um pingo de razão para acontecer logo conosco.
O puro fruto do acaso e da (má) sorte pode ser um dos aspectos mais frustantes de lidar com inconvenicências, estar no lugar errado, na hora errada, ser a pessoa errada. Mas a verdade é que, estatisticamente, você não é particularmente nem mais azarado, nem mais sortudo que a pessoa média, e portanto, ela também passou, passa e passará por situação similares.
Esse desconforto de lidar com determinadas situações não necessariamente é algo negativo o tempo todo. Viver uma vida apenas no que é confortável é fundamentalmente a antítese de evolução.
Nós podemos desejar que não tivéssemos que lidar com nenhum contragosto, mas, ao mesmo tempo, temos que sacrificar nosso conforto momentaneamente para sair da inércia.
Se essas palavras e ideias soam minimamente interessantes para você, não posso recomendar mais que leia o artigo mencionado no início.